Em meados da década de 80, o jovem Jaime Kolling dividia seu tempo entre a oficina mecânica de seu pai, José Kolling,
no município catarinense de São Carlos, e o curso de Administração na faculdade local.
Entre os colegas de sua turma, havia um que comercializava pneus e, vez por outra, lhe propunha: "Jaime por que não coloca uns pneus pra vender lá
na oficina?". A idéia foi tomando forma na mente do estudante. Tanto que, num trabalho escolar sobre a hierarquia empresarial, ele optou
por abordar as empresas do ramo de pneus. Pesquisou com dedicação o perfil das companhias que então lideravam o mercado nacional e
chegou a uma conclusão definitiva para o seu futuro profissional.
Ao concluir a faculdade, Jaime conversou com o pai e lhe comunicou sua disposição de iniciar um negócio de venda de pneus. "Quer ser meu sócio?", propôs, ciente das limitações do capital inicial de US$ 2.500 de que dispunha na ocasião.
O pai em princípio concordou mas, antes mesmo de receberem o primeiro lote de pneus encomendando no atacado, desistiu da sociedade. Argumentou que seria muito difícil competir com a as grandes distribuidoras que dominavam o mercado na época.
"Não vejo como você possa ter muito sucesso nesse negócio", alertou. Jaime não se abalou e retrucou: "Olha, o senhor sabe dos estudos que eu realizei. Quando eu estiver com 50 anos de idade estas empresas vão enfrentar muitos problemas".
E arrematou, em tom profético e determinado: Quando eu atingir esta idade serei líder nacional em venda de pneus".
A bem-sucedida trajetória da JK Pneus em pouco mais de duas década tem relação direta com o estilo de gerenciamento e a visão de mercado de seu fundador.
No modesto início de sua loja de pneus em São Carlos, ele continuou trabalhando simultaneamente na oficina do pai para se capitalizar.
Com o salário da esposa, professora, eles pagavam as contas da família.
O seu próprio salário era aplicado na loja de pneus. E foi assim, reinvestindo todo o lucro na própria empresa, que Jaime Kolling fez a JK decolar a atrair novos sócios, entre eles os irmãos.
Começou, também, a imprimir sua filosofia de trabalho. Durante os cinco primeiros anos de atividades, nenhum dos então quatro sócios recebia pró-labore.
"Tirávamos estritamente o necessário para sobreviver, reinvestindo tudo no crescimento da empresa", recorda Jaime. Com este senso de economizar para ampliar o negócio, a JK foi se expandindo gradualmente para além dos limites de São Carlos.
A primeira filial foi inaugurada já em 1985, na cidade de Itapiranga. Dois anos depois, era a vez de Itajaí. Em 88, em lances quase simultâneos, a empresa ficava com bases em Curitibanos, Joaçaba e Caçador. A expansão se desacelerou nos três anos seguintes mas, em 1990, um fato relevante recolocaria a JK Pneus no caminho do crescimento planejado - o início de sua parceria com a Bridgestone Firestone do Brasil, em regime de exclusividade na comercialização de pneus.
"Um dos grandes alicerces no desenvolvimento da JK é o respeito à parceria com os nossos fornecedores", faz questão de dizer Jaime Kolling. "E, como nosso mais expressivo fornecedor, a Bridgestone Firestone sempre nos deu respaldo para crescer. Quando se percebe uma região ou nicho de mercado que não está condizente com os objetivos do fabricante, nós nos colocamos à disposição para absorver estes nichos, com o apoio logístico da fábrica".